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Corrupção

Não crio leis que possam me ferrar Aqui o crime compensa O dinheiro que era teu... Agora é meu, tá Não é como tu pensas Da minha grana, cuido eu! Eu lavo, passo Só não cuzinho Sou o dono da verdade Tenho imunidade E prisão domiciliar Se um dia eu for acusado Há foro privilegiado E a máfia para soltar Ouça o que eu digo Sou seu amigo É só teclar e confirmar

Caso complicado

     Este caso não dará certo      Porque um é o dono da verdade      E o outro é escravo da mentira

Modernos ou Românticos

        Coração eloquente fala o que sente         Verdades relativas e intimistas         Sábios, tolos e loucos         Todos mentem         Na tez de mares revoltos, analistas         Modernos ou românticos, artistas.        

Silêncio

          Preciso de silêncio para pensar           Olhar para mim mesmo           E me entender           Talvez em algum tempo           Em algum espaço           Eu possa me encontrar           Ouvir um pouco a voz da razão           Que inda resta           Pois sempre que a festa acabar           Estarei só, eu e o meu eu           - Respeita, vai! É o que penso           Silêncio!

Viva a vida!

     Nasci livre, incólume      Mas implume e cego      Faminto, sedento de saber      Sem saber ao certo      Que o saber é o deserto      Infinito da busca por respostas      Nasci aberto e vazio      Mas cheio de felicidade      Contagiando o entorno      Ganhei sim, às vezes não      Apanhei, engoli o choro      Fui subornado, corrompido      Mergulhei em mim, não vi o fim      Não vi o fundo, morri para o mundo      Não para mim      Renasci e enxerguei      Um mundo qu'eu não via      Vim do fundo à superfície      Das águas turvas, imundície      Às águas plácidas, límpidas      Quis apenas o ar, respirei      Hoje vivo o prêmio que...

Olhar Rasante

         Olhar que sobrevoa a calçada    E vê um corpo sobre o papelão    Garrafas pet com água    Olhos com água na escuridão    Faz frio demais de madrugada    Gente chega e briga por espaço    Querendo um canto, pão, abraço    Zumbis, mendigos, gatos e ratos    Desesperados revirando o lixo    Para matar ou amenizar a fome    Olhar rasante vê o triste fato    Mas já não sabe quem é o bicho    E nem sabe quem é o homem